O lítio, mineral fundamental para a produção de baterias elétricas – principal obstáculo entre as montadoras e o mercado ávido pelo “novo combustível” –, tem se tornado uma dor de cabeça para as fabricantes que apostam nos modelos movidos por eletricidade. Há um ano, o fundador e presidente-executivo da Tesla, Elon Musk, comentava sobre a importância do lítio e o comparava ao sal da salada.

Hoje, passados 12 meses, analistas se mostram mais reticentes quanto a oferta do lítio e o mineral se tornou uma incógnita que pode atrasar os planos de expansão das montadoras. O temor é que o fornecimento não seja capaz de acompanhar o aumento da demanda com a expansão na produção de veículos elétricos.

Para John Kanellitsas, vice-presidente do conselho da Lithium Americas, mineradora que desenvolve um projeto de lítio na Argentina, “a conversa agora envolve a oferta e se nós, a indústria, conseguiremos atender.” Os preços do carbonato de lítio, usados em cátodos de bateria, mais que dobraram desde 2015, segundo a consultoria CRU.

Algumas pessoas falam na possibilidade de um “superciclo do lítio”, repetindo o que ocorreu com o minério de ferro no início deste século, com a disparada nos preços, resultado da demanda chinesa. “Levou muitos anos para a oferta de minério de ferro alcançar a demanda. E o mesmo vai acontecer com os materiais para bateria, se não houver dinheiro para desenvolver novos projetos”, disse Reg Spencer, analysta da Canaccord Genuity.

Spencer estima que sejam necessários investimentos de US$ 3 bilhões para extrair mais lítio na América do Sul e na Austrália.

Essa crescente preocupação sobre a oferta também se deve porque a produção está concentrada nas mãos de poucas empresas: a americana Albemarle, a Sociedad Química y Minera de Chile e as chinesas Tianqi Lithium e Ganfeng Lithium (ambas têm produção na Austrália).

Para David Deak, diretor técnico da Lithium Americas e ex-engenheiro da Tesla, a produção de lítio precisa passar em 20 anos de 182 mil toneladas para uma média de 3,1 milhões de toneladas para abastecer a frota mundial.

 

Fonte: Jornal Brasil Peças

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